Base de Maceda celebra aniversário da Força Aérea Portuguesa
Base de Maceda celebra aniversário da Força Aérea Portuguesa
29 setembro de 2014 | 11h39 |
João Filipe Oliveira
sociedade
FOTO: Manuel Vitoriano
Durante o fim de semana as portas do Aeródromo de Manobra N.º 1 (AM1), em Maceda, estiveram abertas para receber aqueles que quiseram ver de perto o trabalho desenvolvido pelos militares desta unidade da Força Aérea Portuguesa (FAP). Nem alguma ameaça de chuva afastou os três mil visitantes que ao longo de dois dias participaram no “Base Aberta”, o evento que celebra na Base de Maceda o 62º aniversário da FAP.
O programa das comemorações é vasto, como explica o Coronel Jorge Pimenta, Comandante do AM1: “recebemos aeronaves, temos uma demonstração do Centro de Treino Cinotécnico da Força Aérea, que é o centro que treina todos os cães que pertencem à Força Aérea e fazem guarda e deteção de estupefacientes e explosivos. Há também demonstrações do trabalho dos bombeiros do Serviço de Ação e Socorro e, no nosso caso, temos ainda um evento especial que é a exposição de modelismo, organizada por um grupo cá de Maceda e que, nos ultimos anos, expõem na Unidade”. Demonstrações do trabalho diário dos militares que têm aqui oportunidade para um contacto direto com a população. “Nós mostramos aquilo que somos e o que fazemos. Nesse campo temos um helicóptero – o Alouette III – em alerta permanente, cuja missão principal é a busca e salvamento na região Norte”, remata o Coronel Pimenta.
Além das 17 aeronaves em exposição, o Aeródromo foi ainda palco de batismos em viatura blindada no APC Condor e batismos de voo na aeronave EADS C-295M.
SOBRE A TERRA E SOBRE O MAR
À chegada, o convite estava feito para o batismo de voo. A possibilidade de voar num avião militar era real mas ainda à distância de um sorteio. Logo pela manhã, a fila para inscrição era longa, mas para muitos – sobretudo junto dos mais novos – esta era uma experiência que justificava a espera. À hora marcada, os nomes iam sendo revelados um a um. Entre alguma surpresa e bastante excitação, os cerca de 120 sortudos foram distribuídos pelos três voos previstos para a tarde de domingo.
Na pista, os bancos de lona do EADS C-295M, utilizado em ações de vigilância, reconhecimento, transporte aéreo, buscas e salvamento, rapidamente se preencheram de rostos impacientes pelo começo do voo que se adivinhava ser radical. Enquanto a tripulação se ocupava da ultimar os preparativos, os passageiros iam partilhando entre si a excitação para este batismo de voo. E se uns tinham já alguma experiência de voo, outros lidavam com uma situação totalmente desconhecida.
Cintos apertados, motores operacionais e num ápice o avião estava no ar. Uma descolagem mais fácil do que se previa mas a calmaria foi sol de pouca dura, pois rapidamente as manobras vieram dar novo ânimo aos passageiros. O sorriso estampado no rosto de uns contrastava com a clara apreensão demonstrada por outros e só a paisagem foi capaz de distrair os mais tensos.
Terminada a viagem, as reações faziam-se prever. “Sinto-me estranha por dentro, mas estou contente! Foi tão rápido que nem diria que foram 15 minutos. Eu já tinha andado de avião mas logo à partida este foi diferente. Não esperava que o interior do avião fosse assim e foi engraçado colocarem lá os bancos de lona”, desvenda Marta Santos no regresso a terra firme. Enquanto isso e como o tempo não para, o C-295M estava de novo no ar porque já era tempo de novos batismos.
A ARTE QUE PRESERVA A HISTÓRIA E ALIMENTA SONHOS
No centro do hangar, o destaque vai para um conjunto de peças de tamanho reduzido mas de reconhecida importância. De olhar atento e o mais próximo possível para que nada escape à vista, o público vai observando as cerca de 350 peças presentes na exposição de modelismo estático. Desde a temática civil à militar, há espaço para todo o tipo de modelos. Uns preservam a memória da cultura de outros tempos, enquanto outros relembram a história dos conflitos armados vividos no último séculos. Há 14 anos que a BigCat Modelismo começou a organizar esta exposição, mas só nos últimos dois é que conseguiu chegar ao Polo do Museu do Ar, em Maceda. Um novo espaço para esta montra de modelos que torna diferente o “Base Aberta” de Maceda.
Vindos de Portugal e da vizinha Espanha, os modelos chegam à exposição através de organizações ou presenças individuais. Mas nem só a participação satisfaz os modelistas. A par da exposição decorre um concurso para eleger os três melhores modelos dentro das várias categorias: “as peças são avaliadas pela construção, pintura e acabamento, originalidade e pormenor, realismo e rigor histórico e pelas suas insígnias e decorações nas várias temáticas. Para isso, há um júri independente que fará a avaliação dos cerca de 200 modelos a concurso”, explica o organizador do evento, Emanuel Alves.
Desde criança Emanuel alimenta o sonho de pertencer à Força Aérea Portuguesa através da paixão pelo modelismo: “no meu caso começou pelo alimentar o sonho da aviação. Ver os aviões a descolar e ter um avião nas mãos, em pequenino, era alimentado pelo modelismo, pois ao construir o modelo fazia-me sonhar e voar”, conta o responsável pela BigCat Modelismo, organizadora da exposição. Uma paixão que facilmente explica: “o modelismo é arte, preserva a história e alimenta os sonhos”.




























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