A paragem laboral teve início esta quarta-feira às 22:00, abrange os três turnos da produção, prolonga-se até às 23:59 de hoje e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do Norte (STIANOR), está a registar uma adesão de 95% entre a força laboral da empresa - que contará, em Ovar, com um total de cerca de 60 funcionários.
"Estamos há 10 anos sem aumentos salariais e a ser nivelados pelo salário mínimo nacional, quando antes estávamos bem acima disso", declarou o dirigente sindical Alfredo Teixeira, que é funcionário da unidade em greve, à Lusa.
"A empresa tem dinheiro e está bem, mas prefere fazer festas de Natal em que paga a artistas de renome para lá irem quando devia é
remunerar-nos a nós melhor", defendeu esse responsável, para aprovação geral dos colegas que o rodeavam.
José Lapa, que também é dirigente do STIANOR, mas não exerce funções na unidade, afirmou que "o objetivo da Sorgal é deixar caducar o contrato coletivo de trabalho", porque "não há nenhuma negociação de jeito a decorrer". "A administração anda a protelar o encontro para analisar as reivindicações dos trabalhadores e, com isso, quer arranjar forma de não atualizar o salário a ninguém", acrescentou.
O aumento agora reclamado pelos grevistas é de 10%, valor que o sindicato reconhece como "diferente do habitual", mas atribui à necessidade de "compensar os trabalhadores por 10 anos sem nenhuma melhoria nas suas remunerações".
Além disso, "este trabalho é penoso e um bocado complicado, e muitas pessoas foram saindo da unidade ao longo dos anos sem que se repusessem esses postos laborais", pelo que "a empresa tem que começar a assumir as suas responsabilidades".
Já quanto à situação financeira da Sorgal, para avaliar se esse aumento salarial será possível, vários trabalhadores garantiram que "é boa" e que a unidade de Ovar "está muito bem".
"De segunda a sexta-feira a fábrica trabalha 24 horas por dia e estamos sempre a fazer horas extraordinárias para conseguir responder a todos os pedidos", fundamenta Alfredo Teixeira. "A seca deste ano também serviu para aumentar o volume das vendas de rações", salienta.
Contactada pela Lusa, a Sorgal - Sociedade de Óleos e Rações S.A. não tinha nenhum membro da administração disponível para comentar o assunto.
A empresa produz rações para animais de criação, animais de estimação, peixes, aves e caracóis. Integra o grupo mais vasto da Soja Portugal, que, além da empresa homónima e da Sorgal, inclui ainda a Avicasal, Savinor, Granja Avícola de S. Tiago, Sociedade Avícola do Freixo e SPA, detendo as marcas Sojagado, Pronuti e Aquasoja.